O Pai é o único Criador? Um estudo sobre o Pai, o Filho e a origem de todas as coisas
Publicado em 29 de maio de 2026
Se a Bíblia diz que há um só Deus, o Pai, isso significa que o Filho não participou da criação? Ou o Novo Testamento apresenta uma relação mais profunda: o Pai como fonte de todas as coisas e o Filho como aquele por meio de quem tudo veio à existência?
🧭 Nesta leitura você vai:
✓ Entender por que a afirmação “há um só Deus, o Pai” é central no debate sobre a Trindade.
✓ Ver como Romilson Ferreira usa textos como Marcos 12:29, 1 Coríntios 8:6, 1 Timóteo 2:5 e Efésios 4:6.
✓ Perceber que o próprio Novo Testamento também fala da criação “por meio” do Filho.
✓ Separar duas ideias importantes: o Pai como fonte da criação e o Filho como agente ou meio da criação.
✓ Caminhar com cuidado, sem aceitar conclusões apressadas nem rejeitar perguntas legítimas.
O Pai é o único Criador? Um estudo sobre o Pai, o Filho e a origem de todas as coisas
🔎 Uma pergunta simples, mas profundamente decisiva
Entre todas as perguntas levantadas no debate sobre a Trindade, poucas são tão importantes quanto esta: quem é o Criador?
Para muitos cristãos, a resposta parece óbvia: Deus criou todas as coisas. Mas quando entramos no debate bíblico sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a pergunta se torna mais específica: a Bíblia apresenta o Pai como o único Criador absoluto? E, se apresenta, como devemos entender os textos que dizem que todas as coisas foram feitas por meio do Filho?
É exatamente nesse ponto que a tese de Romilson Ferreira chama atenção. Ele não apenas rejeita a doutrina da Trindade; ele procura reconstruir toda a leitura bíblica a partir de uma convicção central: Yauh, o Pai, é o único Criador; Yausha, o Filho, é o Rei, o Mediador e o meio pelo qual o Pai realizou a sua obra.
Essa afirmação não pode ser tratada com zombaria nem com pressa. Ela toca em textos bíblicos reais, perguntas legítimas e pontos que muitos cristãos talvez nunca tenham examinado com profundidade.
📖 O ponto de partida: “Ouve, Israel”
O primeiro texto que precisa ser considerado é Marcos 12:29, onde Yausha responde sobre o maior de todos os mandamentos:
“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.”
Esse texto retoma Deuteronômio 6:4, uma das declarações mais fortes do monoteísmo bíblico. A fé de Israel não começa com três deuses, nem com uma multidão de divindades, nem com forças espirituais concorrentes. Ela começa com a confissão de que há um só Deus verdadeiro.
Romilson usa esse fundamento para defender que o Criador não pode ser uma composição de três pessoas. Para ele, a simplicidade da fé bíblica teria sido obscurecida por formulações posteriores, especialmente pela linguagem dogmática da Trindade.
A pergunta, porém, precisa ser feita com cuidado: quando a Bíblia afirma que há um só Deus, ela está negando qualquer participação do Filho na criação, ou está afirmando que toda a criação tem sua origem última no Pai?
📜 1 Coríntios 8:6: o texto que está no centro do debate
Talvez nenhum texto seja tão importante para este primeiro estudo quanto 1 Coríntios 8:6:
“Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também por ele.”
Esse versículo é forte por dois motivos.
Primeiro, ele afirma claramente: “há um só Deus, o Pai”. Não podemos fingir que essa frase não existe. Ela é direta, poderosa e precisa ser levada a sério por qualquer pessoa que deseje estudar esse tema com honestidade.
Segundo, o mesmo versículo também afirma que há “um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas”. Ou seja, o texto que destaca o Pai como o único Deus também coloca o Filho dentro da linguagem da criação.
Aqui começa o ponto mais delicado: 1 Coríntios 8:6 pode ser usado para fortalecer a tese de que o Pai é a fonte absoluta de tudo, mas não pode ser usado de forma simples para dizer que o Filho não tem relação alguma com a criação.
O próprio versículo estabelece uma distinção: do Pai são todas as coisas; por meio do Filho são todas as coisas.
⚖️ Fonte e meio: uma distinção necessária
Para entender esse debate, precisamos separar duas ideias que muitas vezes são misturadas.
Fonte é a origem, aquele de quem tudo procede.
Meio é aquele por meio de quem algo acontece.
Romilson defende que o Pai é o Criador porque é a fonte, o arquiteto, a origem do poder criador. O Filho, nessa leitura, seria o canal, o instrumento, o meio pelo qual o Pai trouxe todas as coisas à existência.
Essa distinção é importante porque ela impede uma conclusão simplista. Dizer que o Pai é a fonte de todas as coisas não significa automaticamente negar que o Filho tenha participado da criação. Do mesmo modo, dizer que o Filho participou da criação não significa automaticamente dizer que ele seja o Pai.
A pergunta correta, portanto, não é apenas:
“Quem criou todas as coisas?”
A pergunta mais precisa é:
“De quem procedem todas as coisas e por meio de quem elas vieram à existência?”
👑 Efésios 4:6 e a supremacia do Pai
Efésios 4:6 também é um texto muito importante nesse debate:
“Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.”
A força desse texto está na afirmação de que o Pai está sobre todos. Ele é apresentado como a fonte suprema, acima de tudo e de todos.
Esse é um ponto que precisa ser reconhecido com honestidade. O Novo Testamento não apaga a centralidade do Pai. Pelo contrário, em muitas passagens, o Pai aparece como aquele que envia, ressuscita, glorifica, entrega autoridade e recebe a adoração final.
Por isso, qualquer estudo sério sobre a Trindade precisa admitir que a linguagem bíblica frequentemente apresenta o Pai como fonte, cabeça, origem e autoridade suprema.
Mas ainda permanece a questão: essa supremacia do Pai elimina a participação do Filho na criação, ou estabelece uma ordem entre Pai e Filho?
🤝 1 Timóteo 2:5: um só Deus e um só Mediador
Outro texto usado com muita força é 1 Timóteo 2:5:
“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.”
Esse texto separa claramente Deus e o Mediador. De um lado, “um só Deus”; do outro, “um só Mediador”. Para Romilson, isso prova que Yausha não é o próprio Deus, mas o homem escolhido, enviado e exaltado pelo Pai.
O texto realmente precisa ser considerado. Ele não fala de três mediadores, nem de três deuses, nem de uma confusão entre o Pai e o Filho. Ele apresenta uma relação: Deus, os homens e o Mediador.
Contudo, mais uma vez, precisamos evitar conclusões apressadas. O fato de o Filho ser Mediador não resolve, sozinho, todas as perguntas sobre sua origem, sua natureza, sua glória antes do mundo e sua participação na criação.
Esse texto é essencial, mas ele precisa ser lido ao lado de outros textos.
📚 João 1, Colossenses 1 e Hebreus 1: textos que não podem ser ignorados
Se parássemos apenas em Marcos 12:29, 1 Coríntios 8:6, 1 Timóteo 2:5 e Efésios 4:6, poderíamos concluir rapidamente que o Pai é o único Criador e que o Filho está fora da criação.
Mas o Novo Testamento traz outros textos que tornam essa conclusão mais complexa.
João 1:3 afirma:
“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.”
Colossenses 1:16-17 declara que todas as coisas foram criadas nele, por meio dele e para ele.
Hebreus 1:2 afirma que Deus fez o universo por meio do Filho.
Esses textos não podem ser simplesmente descartados porque criam dificuldade para uma tese. Eles fazem parte do testemunho do Novo Testamento e precisam entrar na mesa de análise.
O mais interessante é que até mesmo a leitura de Romilson reconhece, em certo sentido, que o Pai fez todas as coisas por meio do Filho. A diferença está na interpretação do que isso significa.
💡 O ponto mais forte da tese de Romilson
O ponto mais forte da tese de Romilson é lembrar que o Novo Testamento não apresenta o Filho como uma divindade independente do Pai. O Filho é enviado. O Filho obedece. O Filho recebe autoridade. O Filho intercede. O Filho é Mediador. O Filho conduz ao Pai.
Essa observação tem peso bíblico.
Também é verdade que muitos cristãos, na prática, quase apagam o Pai de sua fé. Falam de Yausha, oram a Yausha, cantam a Yausha, mas quase não compreendem a centralidade do Pai, a quem o próprio Filho orava, obedecia e glorificava.
Nesse sentido, a tese de Romilson funciona como um alerta: não podemos transformar o Filho em substituto do Pai, nem esquecer que o próprio Yausha veio revelar, obedecer e glorificar o Pai.
⚠️ O ponto que exige mais cuidado
O ponto mais delicado da tese é quando ela tenta resolver tudo dizendo que o Filho é apenas um canal, como se isso encerrasse a discussão.
A linguagem bíblica sobre o Filho é mais elevada do que a linguagem usada para qualquer profeta, anjo ou servo comum. O Novo Testamento fala do Filho como aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas, como aquele que sustenta todas as coisas, como aquele que recebeu glória, autoridade e um nome acima de todo nome.
Isso não significa que devemos correr imediatamente para uma fórmula dogmática. Mas significa que também não podemos reduzir o Filho a um simples instrumento sem examinar cuidadosamente todos os textos.
A Bíblia parece nos colocar diante de uma tensão sagrada:
O Pai é a fonte suprema de todas as coisas.
O Filho é aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência.
Essa tensão precisa ser estudada, não apagada.
✅ O que podemos afirmar até aqui?
Com base nos textos analisados, podemos afirmar algumas coisas com segurança:
Primeiro: a Bíblia afirma claramente que há um só Deus, o Pai.
Segundo: a Bíblia apresenta o Pai como fonte, origem e autoridade suprema.
Terceiro: a Bíblia também fala do Filho como aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas.
Quarto: a participação do Filho na criação não deve ser negada sem estudo profundo.
Quinto: a supremacia do Pai não deve ser enfraquecida para defender qualquer tradição teológica.
Sexto: o debate não se resolve com frases prontas, mas com leitura cuidadosa das Escrituras.
🙏 Reflexão final
Talvez o maior perigo neste tema seja estudar para vencer uma disputa, e não para conhecer melhor a verdade.
Se alguém entra nesse assunto apenas para provar que Romilson está certo, corre o risco de forçar textos e ignorar passagens difíceis. Mas se alguém entra apenas para provar que a tradição está certa, também corre o risco de desprezar perguntas legítimas que as Escrituras colocam diante de nós.
O caminho mais seguro é outro: voltar ao texto bíblico com temor, humildade e paciência.
O Pai deve ser honrado como fonte de todas as coisas. O Filho deve ser reconhecido conforme o testemunho das Escrituras, sem ser diminuído nem confundido com o Pai. E o leitor deve caminhar com discernimento, lembrando que conhecer a verdade não é apenas acumular argumentos, mas se render diante de Yauh com sinceridade.
🔎 Leitura com Discernimento
O que está confirmado?
Textos como Marcos 12:29, 1 Coríntios 8:6, 1 Timóteo 2:5 e Efésios 4:6 colocam forte ênfase na existência de um só Deus e na centralidade do Pai.
O Novo Testamento também fala da criação por meio do Filho, especialmente em textos como João 1:3, Colossenses 1:16-17 e Hebreus 1:2.
O que exige cuidado?
Exige cuidado concluir rapidamente que o Filho não participou da criação. O próprio argumento analisado reconhece que o Pai realiza sua obra por meio do Filho, embora interprete essa participação como canal, instrumento ou meio, e não como igualdade absoluta entre Pai e Filho.
Também exige cuidado transformar a participação do Filho na criação em uma explicação automática e fechada da doutrina trinitária. O tema precisa ser examinado com mais profundidade, considerando a linguagem bíblica, o contexto histórico e os limites de cada interpretação.
Como olhar para isso com fé?
Com humildade. O leitor não precisa ter medo das perguntas, mas também não deve se deixar conduzir por acusações, rótulos ou conclusões precipitadas.
A fé madura examina tudo com reverência. Ela não idolatra tradições humanas, mas também não abraça qualquer explicação apenas porque parece revelar algo escondido. O compromisso maior deve ser com Yauh, com as Escrituras e com a verdade.
📖 Versículo Vivo
“Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também por ele.”
1 Coríntios 8:6
Para refletir: Tenho reconhecido o Pai como fonte de todas as coisas sem diminuir aquilo que as Escrituras dizem sobre o Filho?
Fonte de estudo: análise bíblica e documental a partir de Marcos 12:29; 1 Coríntios 8:6; Efésios 4:6; 1 Timóteo 2:5; João 1:3; Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:2 e do material Desmascarando o Dogma da Trindade, atribuído a Romilson Ferreira da Silva.
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